25.março
Se você trabalha com social media, sabe que o nosso habitat natural é o feed. Vivemos naquela busca frenética pela janela de oportunidade perfeita.
E, vamos ser sinceros, poucas coisas no marketing são tão satisfatórias quanto ver uma marca sendo genial ao dominar o timing de uma conversa que nem era dela para começo de conversa.
Hoje, vou analisar com você como o Burger King deu um nó no McDonald’s em pleno BBB 26, provando que, no digital, a agilidade muitas vezes vence o orçamento bilionário.
Muita gente confunde timing com postar qualquer coisa correndo. Só que não é bem assim.
Timing é acompanhar, em tempo real, o que está explodindo no feed, na TV e nos assuntos que estão movimentando a cultura.
É perceber quando um personagem vira ícone, quando uma fala vira bordão, quando uma estética vira comportamento e por aí vai…
Timing é postar rápido, sim, mas com a leitura certa do que o público está sentindo naquele exato segundo (para não surfar errado). Ou seja, é a capacidade de reagir enquanto o assunto ainda está fervendo.
O segredo é unir a velocidade com a oportunidade de negócio. Quer ver como isso funciona no mundo real? Olha o que o Burger King fez recentemente.
Para tudo e olha o que está acontecendo no BBB 26. Não importa se você ama ou odeia, um dos principais rostos desta edição é a Tia Milena, do grupo Pipoca.
A mulher é um hit absoluto: o pessoal até se fantasiou de Tia Milena e Ana Paula Renault no Carnaval, os dois grandes motores de engajamento do programa.
BBB é cultura pop e todo início de ano se torna o assunto mais comentado no país. Marcas investem milhares de reais em patrocínio no programa, e uma delas é o McDonald’s. O Méqui comprou a cota de patrocinador fast food, montou provas e festas temáticas e, por contrato, tem a exclusividade de todos os participantes.
Como a Tia Milena está confinada e sob contrato rigoroso com a Rede Globo, nenhuma marca de fora pode usá-la em campanhas. Certo? Em partes.
Sem gastar um centavo com a cota da Globo, o Burger King aproveitou o timing absurdo da popularidade da participante e levaram a protagonista para o seu lado da força, lançando uma campanha do Whopper estrelada por… Tia Milena? Não. Sua irmã gêmea!
Eles pegaram a Mile, que é anônima, caracterizaram ela com o penteado e figurino exato da irmã e colocaram ela para devorar o lanche enquanto falava das ofertas.
Dessa forma, ao contratar a Mile no exato momento em que a Tia Milena é o assunto número 1 do país, a marca mostrou que está assistindo ao programa junto com a gente.
Eles não esperaram o programa acabar, lá no final de abril, pra Tia Milena estar livre para publicidades. Eles agiram no calor do momento e isso gera identificação, compartilhamento orgânico e venda. Confira!
Timing não está relacionado a apenas meme. Ele também pode estar ligado a notícias de comoção nacional. Lembram do Roberto, o rapaz que foi abandonado pela amiga em uma trilha no Pico Paraná?
A HBO Max não perdeu um segundo e o escalou para uma campanha para a série O Cavaleiro dos Sete Reinos, aproveitando que o nome dele não saía dos noticiários. Confira aqui!
Timing também é entender a estética do momento, e vimos isso de forma global com a Taylor Swift. Cada álbum novo dela tem uma cor que define todo o branding daquele período e, com o lançamento de The Life of a Show Girl, o mundo ficou laranja.
Marcas que já são laranjas, como o Itaú, aproveitaram para reafirmar seu branding.
Se o seu feed tá laranja, não tem jeito: ela é a dona dos charts e, a partir de agora, dos seus Cofrinhos também, né?
— Itaú (@itau) August 12, 2025
E marcas que não têm laranja no DNA, como Natura, iFood, Google e Seara, trocaram avatares e fizeram posts sobre o assunto, participando da maior conversa do planeta naquele momento.
Timing também serve para capturar falas despretensiosas que viralizam em minutos.
Foi exatamente o que aconteceu quando o fofucho do Jake Connelly, o Derek de Stranger Things, revelou, durante uma entrevista ao Jimmy Fallon, que precisou mentir para os amigos, dizendo que tinha sido escalado para um “comercial de maionese” só para esconder que tinha entrado na série.
A entrevista viralizou e a Hellmann’s, na mesma semana, fechou uma publi com ele. Dá só uma olhada!

Todos esses cases têm um ponto em comum: alguém estava olhando para o que estava acontecendo agora. E, mais importante ainda, alguém tinha autonomia para agir rápido.
Se a ideia precisa passar por três aprovações, dois alinhamentos internos… o timing já morreu. Quando tudo precisa ser validado por quem não está olhando o agora, a marca passa a competir em desvantagem, mas não por falta de verba ou por falta de talento, mas por excesso de travas.
No fim, a pergunta que deixo pra você é: em quantos momentos a sua marca até percebeu a conversa… mas não conseguiu entrar nela?